Novo Pavê

11/11/2010

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Divirta-se!

ass. André Felipe de Medeiros

6th Avenue Heartache – The Wallflowers

14/06/2010

Um dos maiores sucessos do The Wallflowers ganhou sua ilustração videográfica pelas mãos do cineasta David Fincher (de Seven, Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button), que mistura fotografia com animação pelas ruas de Nova York.

6th Avenue Heartache foi a primeira música escrita pelo vocalista Jakob Dylan, quando ele tinha apenas 18 anos e morava na “Big Apple”. Sendo assim, o recurso fotográfico surge como elemento de evocação de lembranças da época descrita na canção, ao passo que ela surge quase que organicamente nos lábios do cantor enquanto ele e a banda passeiam pela cidade.

Os planos remetem à fotografia urbana “clássica”, estilo consolidado por nomes como Henri Cartier-Bresson, ao mesmo tempo que focaliza a banda e seus integrantes como um documentário – o que não é estranho para bandas de rock. A animação chega a brincar com a dualidade de animar as fotos – que esperamos ver estaticamente – ao mesmo tempo que desconstrói o cinema – já que esse é composto de um conjunto de fotografias animadas – alternando o número de quadros por segundo na tela e abrindo espaço para a antiga discussão sobre a velocidade de apreensão da informação.

Thinking ‘Bout Somethin’ – Hanson

08/06/2010

O primeiro single de um álbum carrega a responsabilidade de proclamar a identidade do novo disco, sendo sua primeira referência tanto para os fãs, quanto para o grande público.

No início do ano, a banda Hanson divulgou que seu novo álbum Shout it Out apostaria em influências da música soul dos anos 60 e 70 que eles ouviam quando criança. O clipe de Thinking ‘Bout Something’ abre as portas para o saudosismo ao gravar, todo em vídeo digital, os meninos em sua cidade natal (Tulsa, Oklahoma) inspirados pelos filmes Os Irmãos Cara-de-Pau (Blues Brothers).

Dirigido pelo desconhecido Todd Edwards, o bom humor impera o videoclipe, que tem até mesmo a participação do comediante Weird Al Yankovic tocando o pandeiro. O diretor aposta na frontalidade dos planos abertos no início para situar o espectador na ação e em quadros mais fechados ao longo do vídeo revelando os detalhes durante a coreografia, com destaque para os planos do teclado refletido nos óculos do vocalista Taylor Hanson. A edição coloca a câmera estática no ritmo da música e a direção de arte, com suas tonalidades amareladas e desbotadas, envolve toda a produção na referência da época áurea da soul music sem deixar a contemporaneiradade de lado, ilustrando a canção e propagando o retorno da banda às rádios.

Sleepwalker – The Wallflowers

04/06/2010

O retorno do The Wallflowers após o sucesso mundial do álbum Bringing Down the Horse (1996) teve como enunciação a canção Sleepwalker, que combinava  melodia simples,  tempo rápido e letras sombrias – o que caracterizou o então novo álbum Breach (2000).

Seu videoclipe seguia o mesmo clima ao alfinetar a plástica indústria da fama, aproveitando a recente experiência da banda na mídia e a pinta de modelo do vocalista Jakob Dylan, que na época desfilava em listas de pessoas mais bonitas dos Estados Unidos. Tudo é muito posado e artificial, desde os cenários com iluminação perfeita até as modelos que cobiçam o cantor pelo cachê.

O tratamento plástico e as cores tão bem escolhidas dão leveza às ações que poderiam ser agressivas se retratadas com maior naturalismo: Jakob vandalizando seu próprio pôster, vestindo e se despindo da bandeira americana e o cartaz do novo single da banda ocupando o espaço de uma campanha contra a fome. As belas imagens em planos bem pensados divertem sem causar incômodo, mais uma vez refletindo o sonambulismo do grande público consumidor, que por mais que assista a obras com esse conteúdo, se diante de uma boa produção que não se difira em algum formato diferente do hegemônico, não irá questionar sua passividade em relação ao showbiz.

Naked as We Came – Iron and Wine

28/05/2010

O falso plano sequência de Naked as We Came, do Iron and Wine (pseudônimo do americano Sam Beam)(que assina também a direção do vídeo), preza por uma bela fotografia que acompanha a canção.

O tempo se confunde em três alegorias distintas: A mesa infestada de formigas, a inocência/pureza das crianças (que reflete o título da obra, “Nus como viemos”, em tradução direta) e a chuva. Embora na linguagem do vídeo e cinema o movimento para a direita indique progressão (enquanto para a esquerda representa o oposto), o vai-e-vem da câmera se desprende de tais conceitos e passeia livremente pela poesia dos violões e das cores ao fim-de-tarde.

Tanto as tonalidades, quanto o tipo de lente e seus recursos (como a profundidade de campo desfocada e o bokeh – os pontos de luz geométricos) são ainda hoje – 6 anos depois – tendência na fotografia, vídeo e cinema. É interessante como a simplicidade da voz acompanhada pelo violão combina com a multiplicidade de formas dos elementos na mesa, ao mesmo tempo que esses parecem menos complexos dialeticamente com o único movimento da câmera e o embalar da canção.

Northern Lights – Bowerbirds

28/05/2010

Enquanto a música eletrônica se atém às grandes produções com seus efeitos especiais e seguindo as tendências de sua época, a música folk traz para o vídeo suas raízes na natureza e na simplicidade.

Toda a singeleza da canção Northern Lights, dos americanos Bowerbirds, pode ser conferida em seu vídeo. Desde sua introdução de 8 segundos em uma tela cinza até o último plano do céu estrelado, o videoclipe aposta em planos bem pensados, que ainda assim parecem espontâneos, inserindo o casal na natureza que os observa. Entre detalhes e perspectivas abertas, sempre com luz natural (ambiente), a câmera se movimenta pouco e exibe ao telespectador uma coleção de imagens que seguem a progressão da música e revelam cada vez mais os protagonistas.

Todo o bucolismo na interação deles com o meio reflete ainda o aspecto neo-romântico/neo-barroco no qual a música folk se deleita hoje em dia. Há ainda a questão temporal que o vídeo pode inferir, na condição de um diferente aproveitamento do tempo que a imersão no ambiente natural provê, muito diferente do tempo urbano. Vale ressaltar ainda o destaque que as mãos (símbolo comum do “fazer” ou “produzir”) ganham nos planos, mostrando tanto o interagir com o mundo natural, quanto o fazer música – exatamente o espírito folk.

Weapon of Choice – Fatboy Slim

19/05/2010

Assim como em Praise You, o DJ Fatboy Slim e o diretor Spike Jonze se reúnem para  o vídeo de Weapon of Choice, que traz o delírio musical de Christopher Walken em um hotel deserto.

Com uma extensa experiência no teatro, a direção aposta na frontalidade ao capturar o veterano ator que transforma todo o espaço cênico em seu palco. Os movimentos de câmera se inspiram nos grandes musicais do século XX. A iluminação realista retrata a atmosfera elegante do hotel dourado com detalhes em vermelho, o que combina com o glamour do cinema clássico hollywoodiano.

A união de todos esses elementos produziram o que é considerado um dos melhores videoclipes já feitos, prolongando a lista de fãs do ator e seguindo a tradição das grandes produções para os vídeos de música eletrônica.

Hey Boy Hey Girl – The Chemical Brothers

18/05/2010

O final dos anos 90 testemunhou tanto o casamento definitivo entre os videoclipes e a música eletrônica, quanto o uso de tonalidades de verde, azul e ciano na fotografia, principalmente ao iluminar metais e cinzas. Esse recurso conferia a consolidação do visual futurista difundido nos anos 60, como se o futuro finalmente tivesse chegado.

E por mais que o CGI de Hey Boy Hey Girl (1999) da dupla britânica The Chemical Brothers hoje pareça datado, as imagens em slow motion que retratam a memória da infância são de muito bom gosto. A estética da época com a fotografia em cores frias e o visual limpo podem ser vistos por todo o vídeo.

A direção aposta em alternar entre diferentes pontos de vista, como na segunda metade que traz uma câmera menos emocional e mais objetiva, deixando o ludismo para a imaginação – às vezes em primeira pessoa – da protagonista. Onze anos depois, Hey Boy Hey Girl ainda é bastante contemporâneo, mesmo tão bem inserido no cenário dos anos 90.

Lazy – X-Press 2 e David Byrne

18/05/2010

David Byrne, do Talking Heads, empresta seus vocais à dançante Lazy do trio inglês X-Press 2.

O bem humorado videoclipe mostra um momento na vida do preguiçoso (“lazy”, em inglês) homem que, para viver sem sair do sofá, conta com a ajuda de tecnologias e improvisos duvidosos. Apostando na comicidade, o vídeo não enaltece a preguiça, mas todos a direção de arte a retrata como algo negativo, o que pode ser visto na maquinária decadente e o aspecto sujo não apenas do apartamento e do protagonista, mas na fotografia realista em cores desgastadas que sugerem a monotonia e a clausura do tempo e do espaço vividos no sofá.

Praise You – Fatboy Slim

18/05/2010

O cineasta Spike Jonze, sob o pseudônimo Richard Koufey, e o fictício Torrence Community Dance Group utilizam poucas câmeras de vídeo e um aparelho de som portátil para realizar a gravação de Praise You, do inglês Fatboy Slim.

O videoclipe foi feito como um happening ou um flash mob, no qual os frequentadores (assim como os funcionários) do cinema na Califórnia  não sabiam o que aconteceria quando o grupo de dança se reuniu. O uso de câmeras de vídeo, iluminação natural e a espontaneidade da ação (com pessoas passando em frente às câmeras e a interferência do funcionário, por exemplo) conferem um naturalismo diferente ao universo estilizado e high tech dos outros vídeos de música eletrônica

Da mesma forma, a música – feita a partir de quatro samplers de diferentes gravações (o que a legitimiza como um produto de música eletrônica) – desponta no álbum You’ve Come a Long Way, Baby (1998) como a mais humana das faixas, em meio às tantas batidas mais comuns no cenário eletrônico presente em todo o disco e nos programas de rádio e televisão que transmitiram Praise You em 1999.